21/01/2013

Às vezes, temos de saber esperar. Esperar, para que as coisas mudem. Não imagino que as coisas mudem sempre da noite para o dia. Num piscar de olhos. Às vezes, sim. Num segundo. Apenas um segundo, e sabemos que a nossa vida mudou para sempre.
Mas, outras vezes, temos de saber esperar.

Eu esperei. De alguma forma, entrei em pausa. Confesso que sem saber bem o propósito da espera, e não de forma reflectida ou consciente. Apenas aconteceu - entrei em pausa. Sabes, depois de toda a tempestade tomar conta de ti, depois de já não teres mais sal para conseguir chorar, as noites negras, os dias não vividos, a falta de poros, de fala, de emoções, de forças, de fome, de sono, - tu sabes, alguma coisa tem de mudar. Tu sabes. Fight or flight. É instintivo.


When our heart is threatened...
we respond in one of two ways.
We either run...
Or...
we attack.
There's a scientific term for this:
Fight...
or flight.
It's instinct...
We can't control it.


Não o pude, efectivamente, controlar. Entrei em pausa. Em espera. Em calma. Uma calma que me deu a força suficiente para voltar a chorar. Para voltar a comer com vontade. Para, no final do dia, me sentir bem em ter consciência dos poros de que o meu corpo é constituído. Houve um tempo - este tempo - que me preparou para voltar a acreditar. Mesmo com os seus riscos e imperfeições, que conteve. 

E, depois da espera, tudo mudou num segundo. Um segundo, e soube (sei) que a minha vida mudou para sempre. Voltei a chorar, como quem realmente acredita. Voltarei a olhar para as coisas, e as pessoas, como quem realmente terminou a espera. A espera fez-me crescer. A pausa fez-me amadurecer, e mudar. Num piscar de olhos.
A espera acabou.

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